
- Graça Carpes -

quando chega a
primavera
eles
migram do sul para o
centro
e
pousam na árvore ao
lado
direito de minha janela
é então que
agradeço por
estar viva e
ser
poeta
!
- Graça Carpes -

soul inocente
não existe veloz
nem
lento
apenas existe um
tempo
onde tudo
é
cada um em
seu
(
caminho
)
cada um em
seu
tempo
estou sempre
indo
lindo ver o
sol
nascer
.
- Graça Carpes -
não acordem os índios
adormecidos nas
portas
(
mas que agressiva essa
tal da
palavra
e às vezes diz-se
TAO
fala até que
é
POESIA
)
não os acordem
eles
dormem
em
árvores
.
- Graça Carpes -

primeiro
respirar depois
banhar-se ao
sol
andar
andar
andar
chegar é
consequência
há que
se
objetivar
(
siga
)
!
- Graça Carpes -
abrem-se aos olhos
do
dia
possibilidades de um
novo
tempo
pensamentos em queda
líquida
dizem-se chuvas
joga-se então o
olhar
além da úmida
janela
(
descortina-se nua
a
manhã
)
.
- Graça Carpes -

hipocrisia causa
azia
!
vou tomar um
antiácido
para
suportar a
histeria de
sua
hipocrisia estampada na
fotografia e
ficar de
bem com a
vida
(
o Ministério da Saúde
adverte
:
afetação de virtude causa
danos à
alma
)
!
- Graça Carpes
te sonhei na casa de minha infância todo Romeu e eu tanto Julieta a tentativa o pai a casa a janela grito a alegria da conquista quando acordo e a chuva . . . tenho te sonhado amor - Graça Carpes -
é preciso esquecer a
velocidade
a
cidade e
o
amor
(
até mais
ver
até
)
!
- Graça Carpes -

plantada sobre a
cama a
pálida planta
acorda
para
o
sol
não sabem-lhe
os
lírios
(
pesadelos sobre
a
manhã
)
.
- Graça Carpes -
a índia de meu
ser mora
no
canto mais florido e
verde
:
mata de
minha
alma
depois a
francesa acorda
arruma a
casa
e
borda
palavras com o
sol
da
outra
um rastro sonoro atrai-lhes
;
intelecta a
francesa
posta à
mesa de âmbares flores e
framboesas já
a
indígena serena
toda Oxum
graceja
cantorias em tua espera
passa o tempo
gira a roda
da vida
indígena e
francesa renascem
em
alegria
.
- Graça Carpes -

"I singing in the rain..."
escorrem chuvas do
céu
gotículas de mãos dadas brincando de
ciranda ao
meu
redor
solto o
verde dos olhos e brinco também de
ser
feliz
entre a
umidade e o dia que me
contém
!
- Graça Carpes -

"Há sempre algo de ausente que me atormenta"
- Camille Claudel -
não mais discorrerei
sobre o
amor
porque o amor está
doente
e
sobrevive a
barbitúricos
noturnos a
angústia de sua
própria
solidão
assim como Camille
Claudel e
Rodin
- Graça Carpes -