
as borboletas pegam carona nas asas do vento
sabem que o verão está próximo
e da primavera
que é breve
em asas de borboletas
as borboletas
surfam no cinza da tarde
Iluminando em voos
o rastro do hoje
e sonham
azul
- Graça Carpes -

as borboletas pegam carona nas asas do vento
sabem que o verão está próximo
e da primavera
que é breve
em asas de borboletas
as borboletas
surfam no cinza da tarde
Iluminando em voos
o rastro do hoje
e sonham
azul
- Graça Carpes -

primeiro inspira
profundamente
toda força existente no
sol
reserva
agora
expira expira expira
toda sombra e qualquer
escuridão
relaxa
escuta do mundo
apenas os pássaros azuis e
a
solidão feliz
absorve dos ventos
então
o
pensamento
melhor
agora
inspira profundamente
a
luz do sol
eis aí
tua eterna
poesia
- Graça Carpes -

moça bonita que nunca teve
ninguém
o sonoro esverdeado
de
teus olhos partiu tão
só
(
a porta à qual abriu não
tinha chão
ela
nem viu talvez
só
percebeu quando
abraçou-lhe a
imensidão
agora do lado de
cá
o
mundo escancara moral
mas quem rompeu
a
barreira do certo e
do
errado e estendeu- lhe a
mão
?
)
ouço o som de tua voz e
reafirmo ser
assim
tal a solidão
mais
blues
que
rock in roll no
fio que nos liga quando dizes
“I just, ooh, I just need a friend”
vai menina tem um ponto de luz
eu sei
aí para onde flutuas que te há de proteger
canta e vai
canta que
aqui o
circo do mundo
continua e
através dessa lona furada vejo eu
na
lua
um brilho de luz que te há
de
alcançar
♫♪ moça bonita... e de linda voz...
bye
.
.
.
- Graça Carpes -

sob os Arcos da
Lapa a
passagem do
tempo
feito mágica o
ontem e
o
hoje entrelaçam as
mãos e brilha sonoro
nos
olhos dos meninos
e
meninas repletos de sonhos a
contemporânea fusão
vai uma cerveja vai
uma peleja um
acorde um
beijo
vai
?
a
Lapa sensual e bi
em suas espumantes cores
sacoleja a conservadora moralidade
o ator da nova vida traz um pé fincado
na
raiz do samba e
o
outro
ensaiando um
passo
funk
punks bichos-grilos intelectuais
cineastas atores heteros e gays circulam
todos a
mesma orgia das artes
sob o oculto olhar do exu das ruas e
das
falanges dos abandonados filhos de Cosme e Damião
bem vindas
são
todas as tribos
!
- Graça Carpes -

iluminado
o
sol aquece alianças
a
moça aos seus fiéis
sentimentos
os
segue e
eles
à
ela
todos os seres
convergem para um mesmo
lago
navega o coração
com palavras
e
fé
.
- Graça Carpes -

por onde andam os outros do
meu
eu
afluentes de um mesmo
fluxo
um milhão de seres
talvez
mais
?
qual corrente invisível os absorveu
quando
nadávamos juntos por um
mesmo
útero
guardiões em meu
caminho
às margens de um
vermelho
rio
?
só eu respiro agora o ar
azul do
dia
ou
margeiam-me ainda na invisibilidade
do seu
mundo
?
sempre os penso
muito
perto em
asas
.
- Graça Carpes -

Alison amou Priscila desde sempre.
Desde antes.
Desde quando ainda não a conhecia.
Esse aflorar do amor reconheceu-se quando seus olhos
pela primeira vista, pousaram sobre as vistas dela.
Coisas dos olhos da alma.
Mas, Alison não compreendia o porquê de Priscila
ocupar-lhe tanto espaço.
Parecia ser feita de água a tal Priscila, inundando-lhe
também o coração. Cada poro, cada falange, em cada
interior dos seus ossos, lá estava ela.
Perguntou então Alison à Priscila:
- O que você colocou naquele chá que bebi da primeira
vez em que fui em sua casa? O que me faz só pensar
em você?
Priscila oriunda ao bruxismo, pensou em responder-lhe:
“Chá de bunda!”
Mas, silenciou percebendo que Alison não compreendia a
proporção do amor.
E nunca mais voltou.
- Graça Carpes -

com carinho às mamães
por trazerem em si
o novo
Mãe é quase cãibra
diz o ditongo
(
uma contração a
cãibra
)
Mãe porém
põe muito mamão no
leite
(
uma distração da
Mãe
freqüente
)
cãibra é muscular e
Mãe
também
é coisa do coração
uma ciência esse
ditongo
Mãe
decrescente quando com ela
me zango
Mãããããe
infinito quando lhe preciso
MÃE
.
.
.
- Graça Carpes -

ao amigo Tsu
ao mestre Tadashi Endo
minhas partículas desconexas
pontiagudas feito
estrela
em guerra na própria
esfera
aspiram espirais
brilhantes
chega o mar
em
beira
de
terra
massageando a
orla arenosa
faz o sol
Butoh
com
ela
- Graça Carpes -

Árvore
celebrei tua morte
com
queijo
café e
lágrimas
infinitas lágrimas
feito indígena
guardo
de
ti
memórias de um
vento
verde
aos assassinos o
fel
de
tua seiva
!
- Graça Carpes -

e desde
sempre
tudo
se faz
teatro
repetir a
sombra
acender fogueira
reverenciar deuses
homenagear
colheitas...
acentuar
democracia
!
Teatro
um
ato em
ação
!
- Graça Carpes -

outono é todo
poesia
nostálgica
estação de
espera
espere o
sol
retorna feito
lembrança
de
verão
abre-se
então
cinza sobre
a
manhã
outono
(
apenas
os
edifícios sorriem
alto
)
- Graça Carpes -

árabe
África clássica
círculo desenhado
por
posse
vista azul
tão
céu
era transe quando
tambores
tocavam
glauberiando
as
almas
círculo
avermelhado
chão
salve América fêmea
do
planeta
latino útero
amazônico
oxigena e
gesta
meus
irmãos
salve América
fêmea
do
planeta
latino útero
amazônico
chão
- Graça Carpes -

homens biblísticos
com seus termos
e
gravatas
magnatas dos sonhos
e
alheios
ao
outro
detonam
Laden
Bin Bin
sobre infantes
cabeças
Gaddafi
- Graça Carpes -

fevereiro todo feminino
com seus ciclos de
vinte e oito
e
vinte e nove
luas
festeiro carnavalesco e vermelho
estende-se sobre as ruas
travestido em
alegrias
- Graça Carpes -