chove assim
constantemente e as
enguias
iluminam a
noite
sonoros os carros
espumam feito
marés
chamo constelações de todos os
universos
poesiam
todos os
seres
:
Poesia
!
- graça carpes -
chove assim
constantemente e as
enguias
iluminam a
noite
sonoros os carros
espumam feito
marés
chamo constelações de todos os
universos
poesiam
todos os
seres
:
Poesia
!
- graça carpes -

e deu-se o incêndio
primeiro queimou-lhe as entranhas
depois
tamanha a chama
saltavam-lhe labaredas aos
olhos
e deu-se além do sonho
materializaram-se os
desejos
um sol à pino se fez Rio de
Contas em azul
cristalizavam-se as
Horas
(
é
o tempo
mitologia
?
)
- Graça Carpes

e o que seria o
amor
senão esse incorrido ativo
verbo
?
então o que diria o
amor senão de
luzes e estrelas dançantes
?
(
um não ao básico conceito do
nada
)
e como viveria o
amor
senão da liberdade do outro na qual
subentende-se a
própria
?
- Graça Carpes -

fiz as pazes com a
cidade
(
toda Billie Holiday
)
cantam luzes amarelas
tanto quanto
retinas
.
- Graça Carpes -

sou você ao
contrário
não o
seu
avesso eu
sou green
e você
blue
nesse jogo
latino
vinte e cinco nem sempre
é
vermelho
!
- Graça Carpes -

Toda poesia tem esse
jeito solto de voar
nas
noites um tanto
quanto
rodriguiana
glaubesca
urbana
toda a poesia o é
meio
Wim Wenders quando
aporta asas de
anjos
.
- Graça Carpes -

a pobreza de
meu
país
estende-se sobre as
calçadas não
fosse
o
sol a
iluminar
o
dia
não fosse
.
.
.
- Graça Carpes -

eu vi a chegada da
lua
sobre o
mar
perolado
(
era Leblon
cinco horas da
tarde
)
- Graça Carpes -

talvez contenha a
Poesia
certa propriedade de naturalizar a
esquizofrenia
permitindo ao poeta vivenciar suas inúmeras
personalidades de uma forma em que
ele
(
a
) poeta as
administre para o bem de si e do
universo
e fez-se assim
o
verso
!
- Graça Carpes

comer chocolate adoça a noite
faz o céu ficar doce as
estrelas
doces e
(
talvez em outro universo não exista diabetes
nem um povo tão sofrido por seu governo
por sua inadaptação ao global que não
esfera
aos movimentos que não tribais
no mais uma busca imensa da
felicidade
indígena
uma melancolia
afro
povo partido por um
oceano
ardente
)
a
boca emitir
palavras
tchocolatl
- Graça Carpes -

as pessoas que olham para os céus
acredito
sustentam melhor seus pés sobre a
terra pois que
alongam o espaço entre
alma e
corpo
feito bambus que aos ventos
dançam
sem jamais
quebrantar
.
- Graça Carpes -

o Poeta não está aqui
e sim
lá
no todo onde
fragmenta-se a
Poesia
(
um poeta nunca
morre
)
!
- Graça Carpes -
o Sol que doura a Poesia também inunda de luz aos mandantes das chacinas os moradores dos presídios o sanatório dos loucos aos poucos aos muitos a todos o Sol ilumina e inunda de luz ! - Graça Carpes -

aqui estou porquê sou poeta
e a cidade
chama.
Horas de sol e um vento verde afirma a presença de meu país tropical.
Os sons variam entre o alemão e o inglês, e Santa Teresa não é mais que um produto
consumível sobre os trilhos do bonde - ainda agora o som é todo Paris.
- Turismas minha terra como se ela fosse uma sandália que não solta tiras e não tem cheiro.
Mas é acre-doce o sabor da terra, feito as frutas que saboreio; e quentes são as montanhas porque
apontam para o sol, assim como quente é a minha gente, pois minha terra tem palmeiras
onde canta o sabiá!
- Graça Carpes -

assaltaram pela madrugada a
felicidade
levaram fatias de
lua
a
entrega dos corpos
a
respiração
conjunta e
o
sol
da
manhã
levaram
!
- Graça Carpes -