
"I singing in the rain..."
escorrem chuvas do
céu
gotículas de mãos dadas brincando de
ciranda ao
meu
redor
solto o
verde dos olhos e brinco também de
ser
feliz
entre a
umidade e o dia que me
contém
!
- Graça Carpes -

"Há sempre algo de ausente que me atormenta"
- Camille Claudel -
não mais discorrerei
sobre o
amor
porque o amor está
doente
e
sobrevive a
barbitúricos
noturnos a
angústia de sua
própria
solidão
assim como Camille
Claudel e
Rodin
- Graça Carpes -
benza-me com açúcar
benza-me com teu
carinho
o amadurecer do tempo
espiona a madrugada
acorda
acorda
douram as
mangas o
despertar
do
dia e
tudo
é
Poesia
!
- Graça Carpes -
o amor
tem suas
concretudes
intrépido
Eros
posto que
me
amas no final do
espetáculo
aguardo tua presença ao
camarim
trazendo na mão
esquerda
pulsante o
coração e em tua
direita
estendida a
mão
uma rosa do
meu
agrado depois
que desencadeie-se nosso
destino
afinal
Oxum que se preza
quer primeiro a
oferenda
para depois
o
milagre
(
que te guardem
todos os
mitos
)
- Graça Carpes -

o meu amor
tem olhos de açaí
e mesmo que nada me diga
quando mira minhas pupilas
energiza-me
energiza-me
energiza-me
- Graça Carpes -

brincos que
brilham
bolsas saias e
casacos
rotos
ratos
bonecas de
louça sonhos e fios de
écharpes
contas de pérolas
falsas
contos e
histórias de outras
peles
óculos ao sol mirando no
céu a
lua
bandeira da pátria
armada
amada
panelas furadas
santos de almas
tortas
botas batons brocados
sapatos
passos apressados
revistas velhas
cachorros que
passam
sob olhares
bêbados
moedas colares copos
jarras e long plays recostados às
paredes
cansados enfeites
quadros e cadeiras
assentam-se
- Graça Carpes -
a língua da palavra
a língua dá palavra
à língua da palavra
há língua da palavra
a língua
palavra

quero a prosa – rosa das letras impondo-se entre flores outras
gosto da fluidez e das surpresas
aguardo
rastros
o mastro de tua embarcação que
não me
avista
(
direção oculta
)
mesa posta na sala de jantar
.
.
.
vazia
candelabro aceso na memória de teu olho
grita
luz
!
- Graça Carpes -
chove assim
constantemente e as
enguias
iluminam a
noite
sonoros os carros
espumam feito
marés
chamo constelações de todos os
universos
poesiam
todos os
seres
:
Poesia
!
- graça carpes -

e deu-se o incêndio
primeiro queimou-lhe as entranhas
depois
tamanha a chama
saltavam-lhe labaredas aos
olhos
e deu-se além do sonho
materializaram-se os
desejos
um sol à pino se fez Rio de
Contas em azul
cristalizavam-se as
Horas
(
é
o tempo
mitologia
?
)
- Graça Carpes

e o que seria o
amor
senão esse incorrido ativo
verbo
?
então o que diria o
amor senão de
luzes e estrelas dançantes
?
(
um não ao básico conceito do
nada
)
e como viveria o
amor
senão da liberdade do outro na qual
subentende-se a
própria
?
- Graça Carpes -

fiz as pazes com a
cidade
(
toda Billie Holiday
)
cantam luzes amarelas
tanto quanto
retinas
.
- Graça Carpes -

sou você ao
contrário
não o
seu
avesso eu
sou green
e você
blue
nesse jogo
latino
vinte e cinco nem sempre
é
vermelho
!
- Graça Carpes -